The Black Project, de Gareth Brookes (ou o que esperar ao abrir uma Graphic Novel com uma capa dessas)

BlackProjectCoverBrookes (você nunca ouviu falar antes porque esse é o primeiro livro desse cara) fez um trabalho levemente autobiográfico no qual a perversão e o grotesco assumem várias formas, inclusive adoráveis, como a inocência do seu protagonista. Não é atoa que conquistou (merecidamente) o prêmio do Myriad First Graphic Novel Competition em 2012.
A história gira em torno da rebeldia calma de Richard, que incomodado por não ter uma namorada, resolve criar secretamente suas próprias parceiras a partir de materiais que ele mesmo encontra em casa, como papel machê, tesoura, balões e um cordão (̶f̶i̶c̶a̶ ̶a̶ ̶d̶i̶c̶a̶,̶ ̶p̶e̶q̶u̶e̶n̶o̶ ̶g̶a̶f̶a̶n̶h̶o̶t̶o̶ ̶s̶o̶l̶t̶e̶i̶r̶o̶!̶)̶. Seu apego emocional por suas criações se desenvolve na proporção que seus relacionamentos reais, com amigos e familiares, se deteriora, cirando uma série de conflitos que beiram entre a obsessão e a solidão.
“The Black Project” não se parece com nada que você possa definir ou já tenha lido antes. A própria arte das ilustrações depende do humor de Richard, apresentando traços perfeitos quando o personagem está em paz, e distorcidos em momentos de infelicidade ou euforia. Junte a imaginação de uma criança com a criatividade de um artista plástico e voilà. A esquisitice do livro é o que o faz divertir. Ainda não está disponível em português, mas a linguagem e bem simples e de fácil entendimento. Nada melhor para dar aquela treinada no seu inglês enferrujado.
the-black-project-06-gareth-brookes-myriadEu julgo livros pela capa *pausa dramática*. E se você se interessa por quadrinhos e publicações independentes, também deveria ( e dê uma chance para a categoria, se você ainda não conhece muitas coisas). Nada melhor do que não saber o que esperar, mas ver uma linha estética que te agrada ajuda muito a gerar uma identificação da sua identidade com a do livro, da mesma forma que gostar de um trailer já te faz pensar se o filme tem ou não a sua cara. Além disso, seu julgamento não passa da sua pura opinião particular, e ninguém é melhor para te recomendar algo do que você mesmo.
Se depois disso tudo ainda quiser ler, não tenha medo de exercitar o seu humor negro, se sentir deslocado, perdido, achar o esquema todo bizarro demais para você, ou acabar se chocando no meio do processo. De que outro modo se chamaria a atenção para uma obra de arte?

 

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