[Resenha] Panorama do Inferno

Nome: Panorama do Inferno
Roteiro: Hideshi Hino
Ilustração: Hideshi Hino
Editora: Conrad
Páginas: 200
Preço sugerido: R$13,90

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Sinopse: Um pintor insano desenha com seu próprio sangue uma realidade absurda, repleta de decapitações e zumbis. Um lugar onde apenas a insanidade sobrevive, navegando rios de sangue e entre cadáveres em decomposição.

Um dos mangás mais insanos e perturbadores que eu já li.

O autor, Hideshi Hino, é conhecido internacionalmente como um dos maiores artistas do horror japonês.

Hideshi começou sua carreira em 1967 publicando uma história curta na revista Com, de Osamu Tezuka, intitulada Suor Frio. Uma comédia sobre uma casa de chá no período Edo.

A transição para os quadrinhos de horror só viria mais tarde,  inspirado principalmente pela obra O Homen Ilustrado, de Ray Bradbury, que misturava terror com conto de fadas. Baseado nesse livro, ele começa a desenvolver algo parecido adaptando a temática para o folclore japonês, surgindo então: A Estranha Doença de Zoroko, de 1969, história que marcou toda uma geração de japoneses e o consolidou como um dos principais autores de terror das revistas infantis.

Quando Panorama do Inferno foi lançado em 1982 pela editora Hibari Shobo, era para ser a última obra de Hino, pois, segundo ele, estava cansado de interpretar o papel de Hideshi Hino, o desenhista de mangás de terror.

Quando ele usou o termo “deixar de interpretar o papel”, tinha um motivo para isso. Hideshi Hino era um pseudônimo usado pelo cidadão Yasushi Hoshino. Ele dizia que, quando estava no personagem que havia criado para si, carregava toda uma série de palavras e impressões malditas: o trauma, o pintor do inferno do mundo contemporâneo, o imperador do submundo dos mangás de terror, o solitário patológico…

No entanto, o cidadão Yasushi, era um homem de família com seus hobbies e comum, como qualquer outra pessoa. Para o artista, transformar esse homem comum em Hideshi, exigia um esforço descomunal pois, de certa forma, desenhar e escrever terror, o obrigava a quebrar o equilíbrio mental que ele tinha dentro de si, aquele que mantém as pessoas sãs no dia-a-dia.

A obra, mistura diversos elementos da realidade de Hideshi com sua ficção, como: ele e o personagem principal nasceram na China, seu pai tinha uma tatuagem nas costas, seu irmão mais novo era problemático e passou algum tempo em coma e seu avô era um membro da Yakuza.

Como dito anteriormente, Panorama do Inferno, seria sua obra de despedida do gênero que estava em declínio e desgastada, porém a obra foi tão bem recebida que recuperou boa parte do prestígio de Hino.

Um fato bastante curioso que encontrei no final do mangá foi que, em 1985, quando a editora Hibari Shobo passava por dificuldades, surgiam poucos trabalhos, foi então que Hideshi foi convidado para dirigir o segundo episódio da série de horror Guinea Pig pelo produtor do longa que era seu fã. Com
efeitos visuais questionáveis, o resultado, foi uma produção tosca intitulada de Guinea Pig 2 – Chinuku no Hana (Guinea Pig 2 – Flores de Sangue e Entranhas). A curiosidade, é que: na época, circulou um rumor que o ator Charlie Sheen teria acionado o FBI ao assistir o filme acreditando tratar-se de uma stuff movie (filmagem real de assassinato e outros tipos de violência).

Esse boato nunca foi confirmado, porém, em 1989, uma série de assassinatos foi associado ao filme. Diziam que as mortes haviam sido inspiradas em cenas do longa, sendo assim as cópias foram recolhidas de todas as lojas e locadoras do Japão. O equívoco só foi desfeito com a prisão do criminoso.

Felizmente ou infelizmente (para o artista) ele não conseguiu se afastar do horror e continua seu trabalho até os dias de hoje.

Resumindo: O mangá é realmente perturbador;  contém cenas que podem chocar muitas pessoas. Inclui: cenas de maus tratos de animais, gore, esquizofrenia e dilacerações. O estilo de desenho, lembra muito as animações do diretor Tim Burton e, a história ajuda a compor o cenário maligno e desgraçado do mangá.
Minha nota é 8/10.

É isso humanos, até a próxima. Aqui é Landinho Silva e Silva direto do mundo da rua.
Encerrando comunicação.

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