[Crítica] Sense8 – A nova série de ação da Netflix

Antes de começar, eu acho que podia ser Sens8, que nem sk8.

1You’re no longer just you. You have seven other selves now

Os The Wachowski (Lana e Andy – criadores de Matrix) e J. Michael Straczynski (roteirista de alguns quadrinhos do Homem Aranha) criaram um mundo onde 8 pessoas, que vivem em 7 países diferentes, conseguem se conectar entre si, sentir suas emoções, compartilhar suas habilidades (das mais variadas possíveis), conversar, e com isso, ajudar a resolver as situações que começam a acontecer a partir do momento em que todos têm uma mesma visão, no primeiro episódio. Parece ficção, mas não é.

Esses 8 personagens não poderiam ser mais plurais: uma ativista e hacker transexual norte-americana (Nomi), um queniano motorista de van e fã do Van(!) Damme (Capheus), uma coreana especialista em artes marciais filha de um importante empresário (Sun), uma farmacêutica indiana devota a Ganesh (Kala), um policial de Chicago (Will), uma DJ islandesa (Riley), um alemão que decifra códigos de cofre (Wolfgang) e um ator mexicano que esconde sua opção sexual dos fãs e da imprensa (Lito). Creio que a experiência de vida da Lana Wachowski tenha muito peso na criação de alguns dos personagens principais. Todos eles são únicos, mas compartilham experiências similares: problemas familiares, de autoaceitação, fuga do passado. Alguns dos problemas específicos que eles apresentam são pobreza, questões culturais e religiosas.

A pluralidade das nacionalidades, a temática da série e o estilo da narrativa lembram outras séries e filmes. As séries Heroes e Lost, e o filme A viagem (Cloud Atlas) logo me vieram à mente nos primeiros minutos do primeiro episódio. Inclusive temos o eterno Sayid, Naveen Andrews, como Jonas Maliki, um personagem bem importante e com o mesmo corte de cabelo.

Demora um pouco para o telespectador saber do que vai se tratar a série em si, pois no começo não fica claro quem é o inimigo principal do grupo. E não tem lógica uma série se pautar em um personagem resolver um problema por episódio com ajuda de outras pessoas. (Você quis dizer: Flash?)

Os sensates, ou sensitivos, com o tempo vão se acostumando com a presença uns dos outros e aprendendo como interagir entre si e interferir nas situações. No começo, a cooperação, geralmente, ocorre em duplas: um do sensates ajuda outro que está em perigo. Fica mais maneiro nos últimos episódios, quando eles agem em grupo; igual a você com seus amiguinhos no coop do Battlefield.

Ao contrário de Matrix, que mescla muito bem ação com ficção científica, Sense8 é ação. Ação com conspiração. Ação com conspiração e sexo. Mesmo que o trailer tenha me induzido a pensar que seria uma ficção difícil de compreender, não posso desvalorizar a série pelo o que ela me mostrou. Quando descobri como os sensates se conectaram e o motivo de serem aquelas pessoas, a série passou a ter um novo mistério pra mim. E isso não é ruim.

os8Em pé: Sun, Will, Riley e Kala. Agachados: Capheus, Nomi, Wolfgang e Lito. 

O ponto negativo, na minha opinião, é que a série arrasta muito em alguns aspectos: flashbacks repetidos (Will e Sara Patrell), diálogos desnecessários (Wolfgang e Kala, Nomi e Amanita), muita contextualização dos personagens (dá para entender os “traumas” que cada personagem tem sem muita explicação, sem muito flashback). Outro ponto negativo é a forma como a violência é mostrada às vezes. Em cenas de porrada e tiroteio, de vez em quando tem um close em que mostra desnecessariamente o resultado de um tiro ou de uma facãozada. Ou mostra isso sempre e faz disso uma marca da série ou não mostra. Falando nesses facões, achei meio forçada a cena em que eles são usados como espadas afiadas. Facão é facão, é para encravar no inimigo e ter que fazer força para tirar, não pra cortar superficialmente.

Um dos pontos positivos é a violência (aiin, mas você disse que era ponto negativo). A violência na série, quando não mostrada de forma exagerada, serve para apresentar o universo particular de cada personagem, contribuindo para a construção deles e da série. Sexo e nudez, para mim, nunca é demais; logo, contam como ponto positivo haha. Em Sense8, o sexo é bastante explorado em alguns episódios e, diferentemente do que é visto em outras produções, é mostrado de forma não muito tradicional, o que deixaria a família cristã conservadora, que reclama de senhoras dando selinho na tv e de comerciais de perfume, enlouquecida.

As músicas que tocam como plano de fundo para algumas cenas foram muito bem escolhidas; umas dessas cenas você pode ver no vídeo a seguir. O ministério da gentileza adverte que pode haver spoiler nesse vídeo.

O elenco conta com nomes bem conhecidos, como a Daryl Hannah. O outros, você pode ver na página da série no IMDB.

hdJonas e Angélica. O que acontece nessa cena determina o início da saga dos sensates

Como toda série original da Netflix, Sense8 também teve sua primeira temporada completa disponibilizada. A estreia ocorreu nessa sexta, 5/7. São 12 episódios de mais ou menos 50 minutos. Então, pare de assistir a banheira do Gugu politicamente correta, faça a sua assinatura e acompanhe o desenrolar dessa história.

                         

Nota: 9,1 Kalas de pijaminha 

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  • Caralho! Muito boa essa série! Não é tão boa tecnicamente quanto HoC, mas é mais divertida, nem fica arrastada em certa parte da história.